Manter as crianças em movimento vai muito além de “gastar energia”. É uma parte essencial do seu crescimento e desenvolvimento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 60 minutos de atividade física moderada ou vigorosa por dia para crianças e adolescentes. Não precisa ser treino ou esporte organizado – pode ser brincar ao ar livre, correr, pular, dançar ou até subir em árvores. O importante é que o corpo esteja em movimento e que a criança se divirta nesse processo. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que o movimento regular melhora o humor, ajuda a manter o peso saudável, fortalece ossos e músculos e ainda melhora o desempenho escolar. Em outras palavras: brincar é coisa séria.
Em Algarve, há uma variedade de opções para famílias que querem incentivar um estilo de vida ativo e curioso. Desde museus interativos que despertam o fascínio pela ciência até playgrounds cobertos para aqueles dias de chuva, passando por atividades tranquilas como a leitura, existe algo para cada personalidade e cada idade.
Para os pequenos cientistas de plantão, o Museu de Ciência e Aventura de Lagos é quase como entrar num mundo mágico. Em vez de apenas olhar para vitrines, as crianças podem tocar, experimentar e explorar. As exposições são pensadas para que a aprendizagem aconteça de forma natural, através da curiosidade.
Ali, é possível descobrir como funciona o corpo humano, observar estrelas num planetário, brincar com luz e sombra, montar pequenos robôs e até simular uma caminhada no espaço. Há uma réplica de caverna que encanta os mais aventureiros, além de experiências seguras que fazem borbulhar líquidos coloridos e provocam risos coletivos. Para os pais, é uma forma de introduzir conceitos de ciência de maneira divertida, sem a pressão de “aula”. Para as crianças, é simplesmente uma grande brincadeira que, de quebra, ensina algo novo.
Uma boa dica é ir com tempo: o museu tem várias estações interativas, e os pequenos podem querer voltar a repetir as atividades preferidas.
Nem toda atividade precisa ser barulhenta ou cheia de movimento. Ler também é uma forma de lazer e, ao mesmo tempo, um exercício para a mente. Pesquisas publicadas no Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics mostram que crianças expostas à leitura desde cedo têm maior vocabulário, melhor compreensão de mundo e mais empatia.
Em Algarve, há livrarias e bibliotecas onde é possível passar um tempo agradável folheando livros. Para os bebês, livros de pano ou de banho são ideais, pois estimulam o tato e a visão. Para os pré-escolares, histórias rimadas e coloridas são um sucesso. Crianças em fase de alfabetização gostam de histórias com capítulos curtos, que possam ler sozinhas aos poucos. E, para os pré-adolescentes, sagas de aventura e fantasia como Percy Jackson ou Harry Potter continuam a ser grandes favoritos.
Criar uma rotina de leitura pode ser simples: um livro antes de dormir, uma visita quinzenal à livraria ou até um cantinho especial em casa, com almofadas e uma pequena estante. A ideia é que ler se torne um prazer e não uma obrigação escolar.
Algumas ideias:
A partir de 2 anos
O Catavento
Já viu livro voar? Mesmo de capa dura, folhas firmes no acabamento arredondado com costura e proteção de sobra aos bebês, este voa. Ele venta, na verdade. Nas folhas, nos carimbos, nas colagens do rondoniense Josias Marinho e nas doces palavras-voo da gaúcha Heloisa Pires Lima.
O sol dá bom dia, o vruuuuum começa agitando e catando tudo que vê. Os fios de vento no céu azul estão transformando o que parece já sabido em palavras e imagens para decifrar. Quem vai acertar primeiro: criança ou adulto? Quem vai aprender um vocabulário ancestral e “revirar a história”, como essa menina, a bela do quilombo?
Lançado no ano em que seu primeiro livro, Histórias da Preta, completa 25 anos, Heloisa nos dá a possibilidade de sentir referenciais africanos das ilhas do Caribe ao Brasil, em quilombos, imaginários, brincadeiras. Na companhia de Josias, no entanto, dança com ele uma narrativa em que nem tudo está dado, pois o mais importante é girar.
O Catavento
Autores: Heloisa Pires Lima e Josias Marinho
Editora Passarinho
R$69,90
editorapassarinho.com.br
A partir de 3 anos
Boa Noite, Bo
Para além desta poética do cotidiano, as autoras norueguesas fazem um jogo de texto e imagem. Entre os diálogos, estamos avistando imagens fortes, coloridas e grandes, ora ambientadas na casa, ora na imaginação. Quando o livro acabar, há de se voltar e se demorar mais e mais nas páginas, cheias de detalhes nas ilustrações, entrelaçadas da capa à contracapa, e mostrando uma “maternidade real” interessante.
Autoras: Kjersti Annesdatter Skomsvold e Mari Kanstand Johnsen
Tradução: Fernanda Sarmatz Akesson
Baião
R$69,90
baiaolivros.com.br
A partir de 5 anos
Quando as Coisas Desacontecem
Gabriela é daquelas meninas que amam o mar e tantos detalhes da natureza. Observando a tudo, também é daquelas que se fazem um monte de perguntas. E sua curiosidade a levou a uma questão filosófica: o que acontece com as coisas quando elas desacontecem? Rio vira mar, semente se faz fruto, nuvem desmancha em chuva. Será que a menina estava só pensando sobre transformações ou era outra coisa?
Autores: Alessandra Roscoe e Odilon Moraes
Gaivota
R$65
editorabiruta.com.br
A partir de 8 anos
O que é um Rio?
Estão ali a avó e a neta às margens de um rio. A menina colhe flores, a avó borda. O que será que o rio esconde para além do que vemos à superfície? Este é o mote da autora sueca Monika Vaicenaviciene para nos puxar por meio do fio do rio dezenas de significados. As imagens são impressionantes e o design nos oferece uma espécie de almanaque com um formato inovador.
Autora: Monika Vaicenaviciene
Tradução: Guilherme da Silva Braga
R$79,90
wmfmartinsfontes.com.br
Há dias em que o que as crianças mais querem é correr, escalar e gastar energia de todas as formas possíveis. Nesses momentos, um parque como o Adventure HQ é um verdadeiro paraíso.
O espaço combina áreas internas e externas, garantindo diversão em qualquer estação. Os bebês e toddlers têm uma área própria, com piso acolchoado, brinquedos sensoriais, túneis e blocos de montar. Já as crianças maiores encontram desafios um pouco mais ousados: escorregas de corrida, trampolins que convidam a pular sem parar, redes de escalada e até o famoso daredevil slide, que dá um friozinho na barriga antes da descida.
Outro ponto positivo é que o espaço foi pensado para as famílias passarem tempo juntas. Há cantinhos para descanso, onde os pequenos podem recuperar o fôlego, e um coffee bar que serve cafés, chás e bolos caseiros. O restaurante tem um cardápio simples, mas com opções que agradam tanto às crianças quanto aos adultos, incluindo pratos mais saudáveis. É o tipo de lugar onde se pode ficar uma manhã inteira ou até o dia todo, sem pressa.
A segurança é uma preocupação constante: há monitores atentos, piso acolchoado e áreas bem sinalizadas. Para os pais, isso significa poder relaxar um pouco e até aproveitar o wi-fi gratuito, ler ou trabalhar enquanto os filhos brincam.
O mais importante, no fim das contas, é garantir que o tempo livre das crianças seja bem aproveitado. Lagos oferece muitas oportunidades para isso, e não é preciso limitar-se a uma única opção. Um fim de semana pode ser no museu, o seguinte pode ser de brincadeiras no Adventure HQ, e no meio da semana, por que não um passeio à livraria para escolher uma nova história para ler antes de dormir?
Essas experiências não só ajudam no desenvolvimento físico e intelectual, mas também criam memórias afetivas que ficam para a vida toda. E, talvez, essa seja a parte mais valiosa de todas.
Referências:
World Health Organization (2020). Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour.
Sociedade Brasileira de Pediatria (2021). Manual de Orientação – Atividade Física na Infância e Adolescência.
High, P. et al. (2015). Reading Aloud, Play, and Social-Emotional Development. Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics.